terça-feira, agosto 28, 2007

politicas sexuais da carne

comer animais exercita mera representação de valores patriarcais
comer carne é a reinscrição do poder masculino em cada refeição
a visão patriarcal busca não o fragmento de carne de animais mortos
mas comida apetitosa
atividades vegetarianas contrariam consumo patriarcal
e desafiam o conceito da morte
atividades vegetarianas declaram que um ponto de vista do mundo alternativo existe
um que celebra a vida ao invés de consumir morte
um que não se baseia em animais triturados mas pessoas empoderadas

se carne é um símbolo de dominância masculina
então a presença da carne proclama o despoderamento das mulheres

precisa um não para objetificar um passo a mais
não apenas objetificamos animais
mas ao desobjetificá-los tiramos o que queremos
deles e deixamos suas carcaças
nós deixamos sua morte de fora e tiramos seus corpos
nós tiramos as imagens de suas mortes de fora e tiramos
o significado da carne e o aplicamos às mulheres

nós podemos não escolher entre uma causa de libertação ou outra
direitos humanos e direitos animais sofrem opressão comum no mundo patriarcal
dominância masculina ataca feminismo, eles dizem que somos (dirigentes de bordéis?),
dizem que somo referência doméstica, dizem que somos odiadoras de homens
dominãncia humana ataca direitos animais, eles dizem que somos terroristas,
dizem que somos odiador@s de pessoas


créditos: fernando
fonte:banda consolidated
sexual politics of meat, do album friendly fa$cism

segunda-feira, julho 23, 2007

Por que abolicionistas?

"Os animais existem por suas próprias razões. Eles não foram feitos para humanos, assim como negros não foram feitos para brancos ou as mulheres para servir aos homens." (Alice Walker)
.

A denominação abolicionista, no presente contexto, corresponde à postura daqueles que se opõem à escravidão animal em todas as suas formas. Sabe-se, afinal, que a exploração dos animais é institucionalizada pelo Poder Público e movimenta, mundialmente, poderosas corporações industriais na garantia de interesses econômicos dos mais diversos. Definir o ser humano como espécie superior, que subjuga animais a seu bel-prazer, é prestar uma infeliz homenagem à doutrina antropocêntrica dominante.

Nosso sistema social compactua com a opressão das outras espécies, legitimando a escravização de seres sencientes em meio a um cenário entremeado pela ganância, pela insensibilidade ou pela indiferença humana em relação ao sofrimento alheio. Torna-se o animal-objeto, assim considerado, mera propriedade privada ou recurso destinado à obtenção de determinados fins, sejam eles lícitos ou não. É como se, em nome do poder, triunfassem a espingarda e o chicote sobre as leis morais.

A crueldade humana parece não ter fim. Jaulas, armadilhas, rédeas, gaiolas, esporas, chibatas, correntes, ferro em brasa, granjas, matadouros, arenas e biotérios, dentre outras tantas formas de subjugação animal, tornam-se símbolos da violência humana que se perpetua ao longo dos séculos. O imperialismo, o especismo, os regimes escravocratas, o classicismo, a exploração, etc., têm uma base comum: o antropocentrismo legitimado pela falácia da sociedade patriarcal. Daí porque a autêntica postura abolicionista revela que um movimento em favor dos direitos animais deve se fundamentar em sólidos postulados éticos, nos princípios essenciais da Justiça e na crítica aos atuais valores humanos. Inserido nesse contexto, o veganismo surge como opção mais coerente para buscar e obter transformações.

Daí porque o chamado bem-estarismo animal, a exemplo do apartheid, da libertação sexual e do welfare state, não é uma forma de apoiar a luta abolicionista, e sim de silenciar a causa libertadora. Há de se incluir os animais no âmbito de nossas considerações morais, afastando deles o estigma de propriedade ou da pretensa relevância ambiental que possam vir a ter. Os animais, em síntese, merecem ser respeitados enquanto tais, não em função de sua suposta utilidade aos seres humanos.

É preciso enfrentar a raiz do problema, construindo uma sociedade que se assente em fundamentos filosóficos não-opressivos, que, acima de tudo, respeite as outras espécies, independentemente de sua condição ou serventia. Somente assim poderemos acreditar em um mundo mais justo para todos, em que a escravidão – seja ela qual for - esteja completamente abolida.

"Desconfiai do mais trivial, na aparência, singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar."

(Bertolt Brecht)

quinta-feira, julho 19, 2007

FEMINISMO E ABOLICIONISMO ANIMAL

Sexismo e Especismo - Tamara Bauab Levai

A sociedade atual ainda prioriza o homem branco ocidental em detrimento de todo o resto da criação. Comportamentos considerados culturais, não devem ser confundidos com comportamento natural, não é natural que seres humanos dotados de consciência e racionalidade, do século XXI ainda possam se divertir com acontecimentos como um rodeio ou uma tourada, seres que pregam a paz e dizem lutar por ela ainda toleram violência contra a mulher achando que este tipo de coisa é natural, não é.

O movimento de libertação visa por fim ao preconceito e a discriminação baseados em características arbitrárias, como a raça, o sexo ou a espécie, talvez o especismo seja nossa última fronteira ética, isso requer uma expansão dos nossos horizontes morais.

Negros e mulheres já foram considerados seres inferiores, desprovidos de alma ou inteligência. Querer igualdade moral para os animais parece tão absurdo quanto achavam absurdo a igualdade feminina.

Os sexistas violam o princípio da igualdade, ao favoreceram os interesses do próprio sexo. Os especistas ao levarem em conta os interesses de sua própria espécie em detrimento dos interesses de membros de outras espécies .

No começo da "ocupação" humana sobre a Terra, ainda não se reconhecia o envolvimento do homem na geração de novos seres. O surgimento da vida era atribuído ao corpo feminino, e por este motivo desenvolveram uma divindade feminina, a vida era ocasional, uma benção da deusa mãe. Eram tempos matriarcais.

O homem se esforça para estar ao lado da mulher desenvolvendo amor pelos filhos. Nosso sucesso como espécie deveu-se á divisão do trabalho entre machos e fêmeas, os machos se especializaram na função de provedores de alimento, as fêmeas ocupavam o centro da vida social, preparando o alimento, criando os filhos e organizando a tribo, as mulheres aprenderam a lidar com vários problemas ao mesmo tempo. Havia um equilíbrio entre homens e mulheres, eram diferentes mas iguais.

As comunidades humanas se fixam cada vez mais, surgem disputas dos grupos por territórios, isso eleva a categoria dos homens a guerreiros pois a vida da mulher como geradora de vida nova era muito valiosa e merecia ser defendida.

Lentamente um ressentimento masculino vai germinando neste estado primitivo, que queria ter o poder de criação para si e ocupar o lugar central da sociedade, surge o masculino opondo-se a tudo o que era feminino. Lentamente a revolução patriarcal vai se organizando.

O homem toma para si o poder da criação, os cultos ao deus fálico crescem, o homem passa a ter maior importância no surgimento da vida.

Os homens tornaram-se importantes com a guerra, organizam as coisas para "manter a ordem", se sente forte, glorioso, com desejos de grandeza, esposo da deusa, um deuso, um deus...para isso tem que assassinar a deusa, tomar-lhe o poder, tomando a terra, desprezando a terra, dizendo que o importante é a semente, assim como o corpo da mulher seria inerte sem a semente masculina.

Tomam o poder de controlar a vida. A deusa gera e o homem toma para si, surge o paternalismo, surge a propriedade, a terra propriedade, a mulher propriedade, os filhos propriedades, os animais propriedade.

A deusa é caluniada, seu culto é chamado de paganismo indecente, o deus é gerado numa mãe virgem inviolada e sofredora, de um pai austero que premia com seu amor quem se deixa domesticar e submeter-se a ele, um pai punidor, racional, controlador.

Um deus homem, um lar patriarcal, um regime de violência, dominação.

Disso decorrem o patriarcado - a falácia do poder - o imperialismo, o militarismo, o capitalismo, o industrialismo, o consumismo, o racismo, o sexismo e o especismo. Dominação andro-antropocêntrica, exploradora e antiecológica.

O modo como toleramos a violência e crueldade contra os animais não humanos, nos mostra como toleramos também a violência contra as mulheres, os negros, os pobres, os idosos.

Assim com as feministas, os defensores dos direitos dos animais, são ridicularizados, suas aspirações consideradas irrelevantes, são acusados de: radicais, extremistas, chamados de histéricos, emotivos, neuróticos, anti-sociais.

Opor-se a exploração animal é um ato de amor próprio, de escolha, de liberdade de dizer não, de não ser massificado pelo sistema.

Podemos escolher ter uma vida não brutalizada, não violenta.



http://www.sentiens.net/top/PA_TRI_tamara_03_top.html


quinta-feira, julho 12, 2007



sexta-feira, junho 01, 2007

PETA: ONDE APENAS AS MULHERES SÃO TRATADAS COMO CARNE

"Especismo é errado porque, assim como racimo, sexismo e homofobia, exclui seres sencientes da plena participação na comunidade moral baseado em características irrelevantes. Raça, sexo, orientação sexual, e espécie é tudo irrelevante para a capacidade de ser prejudicado. Mas a rejeição do especismo nesse grupo implica a rejeição da discriminação baseada em raça, sexo, orientação sexual. É inaceitável que se perpetue a comodificação de um grupo em benefício de outro. Comodificação envolve tratar o outro – seja uma mulher, pessoa de cor, gay ou lésbica, ou não-humano – como um objeto, como ALGUMA COISA antes de ALGUÉM. Por muitos anos, People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) promoveu campanhas sexistas. Tudo começou com a sua campanha “Eu prefiro ficar nu a vestir pele”no começo dos noventa e foi “progredindo” através de séries de promoções baratas e pueris, culminando no mais recente: PETA’s State of the Union Undress (Estado da União do PETA despido), que gerou mais decepções, até mesmo da própria PETA. E isso é dizer algo de uma organizacao que fez o seu melhor para reduzir questões sérias de exploração animal em um bando de piadas de armários de vestiários. Agora nós já fomos para o nu feminino frontal total (e depilado) —“para os animais.” Você primeiro deve clicar para significar que você tem mais que 18 anos. E depois você assistirá uma mulher se despir completamente enquanto ela fala sobre as campanhas bem estaristas concebidas para que vocês consumam com compaixão, você verá vários minutos de fotos gloriosas de não humanos sendo explorados em vários contextos. Esse vídeo termina com uma citação de Dr. Martin Luther King sobre justiça. São realmente múltiplos estágios de pornografia. E este video mais recente, embora mais extremo que esforços passados do peta neste regardo, é problematico pelas razoes que todas as campanhas sexistas e misogenas do peta sao problematicas.

Primeiramente, essas campanhas comodificam um grupo tradicionalmente desfavorecido (mulheres) com a suposta intenção de ajudar um outro grupo desfavorecido (não-humanos). Mas que sentido tem em dizer que devemos tratar um grupo instrumentalmente com o objetivo de ajudar um outro grupo? Isso não faz nenhum sentido de qualquer jeito. Pelo contrário: ao encorajar o público a ver mulheres como objetos, PETA meramente garantirá que as pessoas continuarão a ver não-humanos como objetos. Enquanto continuarmos a tratar as mulheres como carne, nós continuaremos a tratar não-humanos como carne.

É imprescindivel que objetamos ao tratamento instrumental de qualquer grupo. Desvalorando e comodificando qualquer grupo para o suposto beneficio de outro é imoral e derrotista.

Segundo, por acoplar imaginário sexual com imagens de violência em torno de não-humanos, essas campanhas tentam erotizar exploração animal. Nós vivemos numa cultura em que violência, e particularmente violência contra mulher, é erotizada em uma variedade de maneiras. Perpetuando isso, e extendendo à exploração de não humanos, é profundamente problemático.

Terceiro, essas campanhas tem tudo haver com a promoção do PETA e nada com a exploração de animais não humanos. PETA começou sua campanha de nudez contra peles no começo dos 90. A indústria de peles está mais forte que nunca. Houve um dramático crescimento na década passada do número de lojas trazendo peles e o número de designers usando pele combinando com significante diminuição da idade comum dos compradores de pele. Uma enquête de 2004 da Gallup descobriu que 63% dos pesquisados pronunciaram-se em relação a compra e uso de roupas feitas com pele de animais como ´moralmente aceitável´. Ainda que bons resultados para não humanos poderia não justificar sexismo, sexismo não tem produzido nenhum bom resultado pra não humanos.

Quarto, essas campanhas continuarão fazendo um destrabalho pra encorajar uma discussão séria sobre exploração de não-humanos, incluindo a importancia do veganismo, os problemas do bem estar animal, o status apropriado para os não humanos, pensamento especista, etc. Ao invés disso, eles irão fazer qualquer pessoa pensante que ainda não está convencida a desacreditar o “movimento” como estúpido, ofensivo e imaturo. Nao é nenhuma maravilha que outros progressistas politicos isolem o movimento


A idéia de que PETA pensa ser apropriado terminar o striptease de um vídeo com uma frase de M
artin Luther King sobre injustiça é indicação encorajadora de que PETA intende trivializar qualquer coisa e qualquer um em sua lucrativa tentativa de se promover. Talvez PETA deveria lembrar que Dr. King avançou significativamente na causa da justiça através do intelecto, tenacidade, dignidade e coragem e sem ter precisado qualquer vez ter “ficado pelado” para ganhar direitos civis ou se engajar em qualquer tipo de sensacionalismo e excentricidade barata que se tornou a marca registrada do PETA.

Eu venho sendo critico com o sexismo do PETA desde o começo dessas campanhas no começo dos 90. E toda vez que eu gerei essa questão com vários dos
PETAphiles, incluindo Ingrid Newkirk, fui informado que não havia nada de errado com essas campanhas porque as mulheres envolvidas participavam com prazer e que era uma expressão de feminismo ficar nua “para os animais.” Isso é tão ridiculo quanto dizer que atores afro-americanos que perpetuavam estereotipos racistas em comédias de negros nos anos 1920 e 1930 estavam prestando contribuição à causa. O fato de que a exploração é “com aprovação da vítima” não significa que não é exploração. Apenas tem a dizer que sexismo é tão pervasivo em nossa sociedade que tantas mulheres estejam cegadas por ele. Isso não deveria ser dito com tanta surpresa.

Aqueles de vocês que estimam a PETA como “radical” precisam repensar sua compreensão do que seja o termo. Ser “radical” envolve ir à raiz da causa. Uma solução radical é a que vai à raiz do problema e propoe mudança fundamental.As campanhas do PETA são indistinguíveis das propostas tradicionais de bem estar animal. O fato é que PETA também promove sexismo e tenta ofender qualquer um ao dizer que isso é apenas pra conseguir atenção da mídia não a faz nada “radical.” PETA não está agindo no sentido de uma mudança substancial no paradigma prevalescente da hierarquia especista e opressão – ao contrário, reforça esse paradigma.


A PETA pode ter começado como uma organização que valia a pena, mas tornou-se um fim em si mesma. Vem usando os não-humanos explorados como meras “escoras” numa série interminável de autopromoções que a tornaram multimilionária. Abandonou qualquer pretensão de ser abolicionista, em qualquer sentido sério. A PETA está atrapalhando, e não ajudando, a causa dos direitos animais. Se você apoiar a PETA, deveria pensar sobre manter ou não esse apoio.

Mas, se o fato da PETA dar um prêmio à “visionária” planejadora de matadouros e exploradora de animais Temple Grandin, ou se a posição da PETA de que direitos animais significa animais mortos, não fizer você chegar à conclusão de que Newkirk e seus amigos foram longe demais, a ponto de perderem totalmente o rumo, então talvez um strip-tease frontal feito por uma mulher exaltando as virtudes do bem-estar animal, justaposto a cenas de exploração de não-humanos e terminando com o Dr. Martin Luther King, também não vão incomodá-lo."


Gary L. Francione

Estado do Movimento
© 2007 Gary L. Francione







sexta-feira, maio 04, 2007

"Farra do boi"


Da farra-de-homens mal-acostumados, contra bois indefesos
Sônia T. Felipe



Do boi e do homem voltamos sempre a falar, no Estado de Santa Catarina, a cada ano, com a aproximação das festas da ressurreição. Sempre a pretexto de se preservar a cultura e a tradição açorianas, trazidas para a Ilha de Santa Catarina, aficcionados cidadãos, rasgando a Constituição e ridicularizando a ética e a justiça, reúne-se, levando suas próprias crianças, tão vulneráveis à violência e à morte como o boi, para correr atrás de bois, em estado de pânico. Parece muito inocente, essa farra que mata jovens e meninos, todos os anos, erroneamente denominada de a farra do boi, pois, a bem da verdade, ela é simplesmente a farra de alguns poucos homens, com gosto de sangue a lhes anuviar o sabor da própria vida.



O boi corre, exausto, faz investidas contra os que o maltratam, estaca, senta-se, bufa, as narinas dilatadas, o pulmão em sufoco, o coração em disparada, um toco ensanguëntado no lugar da cauda. Coração, pulmões, músculos, e a desproporção entre a estrutura muscular de suas pernas e o volume do corpo, obrigado pela multidão a mover-se com velocidade, são o que de mais objetivo se apresenta aos sapiens, como indicadores da constituição vulnerável do bovino.

Por natureza, esse animal não é de corrida, muito menos, de luta. Ele não tem garras nem presas. Não ataca a não ser em legítima defesa, não morde, nem fere, se deixado em paz. O volume de seu corpo, porém, excita os machos que fazem uma farra. Confrontar-se com tal volume parece propiciar-lhes o que lhes falta: virilidade. E esta não se mostra boa-coisa. É bruta. Machuca e mata.

Investir contra os que o atacam, nem sempre resulta eficaz, para o boi. Para poder investir com sucesso, faltam-lhe os músculos típicos do arranque veloz e da corrida-de-fundo. Falta-lhe, ainda, treinador, massagista, fisioterapeuta, benesses dos reais lutadores humanos, que sobem às arenas do boxe, e das demais lutas nas quais homens confrontam-se fisicamente.

Mas, não se trata apenas da constituição anatômica e fisiológica do animal, também de sua constituição psíquica. O boi investe contra esse outro animal que o provoca, não porque ache isso uma delícia de brincadeira. Ele o faz, tentando demover o agressor de aproximar-se demasiadamente do seu corpo. Afinal, um corpo enorme, pesando mais de meia tonelada, sustentado e transportado por quatro pernas pequenas e finas, com músculos impróprios para a luta, é tudo o que o animal tem, para mostrar ao homem que se excita em sua presença, que essa tradição não apenas é de pouco bom-gosto, mas cruel em sua origem, pois parte do suposto de que os animais são objetos da diversão de homens entediados. Bois são lentos ao caminhar. Grande é a queima de oxigênio para mover seu corpo, por isso ele se move com lentidão. Falta-lhe oxigênio.



O mesmo nos acontece. Sofremos quando temos de nos deslocar em velocidade superior à da reposição de oxigênio. Por essa razão, comemoramos tanto o velocista olímpico, o maratonista. Pois o atleta força sua natureza a superar-se. A diferença é que ele escolhe o desafio e o custo de romper seus próprios limites biológicos. O boi não tem escolha. É simplesmente forçado a compor uma cena que jamais poderá lhe propiciar qualquer benefício. Enquanto os atletas treinam anos a fio sua fisiologia, para superar a condição natural e competir com seus iguais, na arte treinada, a maioria dos seres humanos não se dedica a nada disso, pois não vê benefício algum em gastar tanta energia, para compor a cena final da competição, e servir de espetáculo para os sedentários.



Somos como os bois. Sem treino para o jogo. Qualquer esforço sobre músculos do nosso corpo, não utilizados nas atividades sedentárias diárias, resulta em falta de ar, pulsação acelerada, perda de líquido, dores horríveis durante o esforço desmesurado e no dia seguinte. Em nosso psiquismo a reação que se esboça é a de uma profunda angústia, medo de parada cardíaca, medo de sufocar, medo da dor. Sentamos na calçada, ofegantes. Mas, ninguém nos dá cutucadas nem chutes para que prossigamos.




Tudo o que mais abominariam, caso alguém se atrevesse a fazer contra seus corpos, na farra-do-boi, esses homens fazem contra o animal. Toda a crueldade é praticada em nome da tradição, como se a defesa de um costume fosse um valor absoluto, mesmo quando o costume aparece aos olhos de todos os demais como brutal, violento, inútil, injusto, expressão de um atraso moral inqualificável, pois não faltam argumentos contrários aos mesmos, na mídia impressa, escrita e televisionada.



Os açorianos, caso algum dia tenham brincado com bois soltos nas ruas, certamente o fizeram num tempo em que não havia mais nada para distrair a multidão aborrecida, a não ser os rituais religiosos. A farra é um ato não-religioso, fere os princípios mais básicos da moralidade humana, o sentido de justiça e o próprio conceito de humanidade que a tanto custo se tem procurado
Os animais sensíveis não sentem apenas a dor, têm consciência e angústia do limite de seu corpo. A crueldade contra eles expressa simplesmente o nível de crueldade da qual o homem é capaz, contra os seres de sua própria espécie.




Um país que vilipendia sua própria Constituição, que deixa os policiais observando as práticas de crueldade contra os bois sem levar preso quem farreia, julga-se acima da moralidade humana, acima dos padrões internacionais de civilidade, acima do dever de compaixão e de justiça.




Nesse país, por conta de sua tradição hipócrita e indiferente ao sofrimento de quem sofre a crueldade, exatamente, perecem meninos, vítimas dessa farra contra vida, que, hoje, ao redor do planeta, só no Brasil se pratica com desdém, pois em outros lugares a morte vem pela mão do inimigo, não do que está próximo. No Brasil, há uma farra contra a vida dos seres vulneráveis à brutalidade alheia, que se estabelece a cada dia. Ora o boi é usado como arma para matar a criança, ora o automóvel, ou o hábito de consumir drogas fornecidas por um mercado de violência e morte.




Em uma região apenas, de Santa Catarina, temos essa farra repulsiva, a repetir-se cada ano. O povo do resto do Estado envergonha-se de encabeçar, na quaresma, a lista dos mais violadores dos direitos animais, ao redor do planeta. Mas, a matriz cognitiva e moral da violência é de uma mesma natureza: sua matança em massa, nos centros de confinamento dos animais para o abate, e pela tortura contra os bois escolhidos para a farra dos mal-acostumados a uma tradição que apenas nos achincalha, nosso Estado está batendo todos os recordes internacionais de maldade contra os animais. Há alguém que sente orgulho disso?




Jamais presenciamos qualquer animal praticando atos que excedam sua capacidade física natural. E, menos ainda, o fazem contra nós. Sempre que presenciamos uma cena dessas, esses animais estão em nosso poder e são forçados, por medo de chibatadas, medo da morte ou angústia artificialmente produzida, a fazerem o que, por livre e espontânea vontade jamais fariam.



A farra dos homens contra o boi é uma farra andro-chauvinista, exclusiva do homem. Emoções fortes é o que esse procura, ao colocar um boi na jogada. As mesmas emoções, com nenhum prejuízo ético, esse homem pode conseguir correndo colina acima, para chegar por primeiro. Imagine se um boi o perseguisse colina acima! Farra, na qual uma das partes nada ganha e tudo perde, e outra se regozija é gozo, não é brincadeira. A perversão moral leva o homem a julgar que deve preservar a tradição que lhe assegura o privilégio de gozar às custas da dor e do sofrimento alheios. O estupro é uma prática sexual tradicional. A violência contra as mulheres, também. Não por coincidência, ambas são práticas tradicionais de homens, contra seres vulneráveis.



Se seres superiores a nós em inteligência nos capturassem e nos levassem em gaiolas para seus territórios, nos usassem em brincadeiras aterrorizantes, incompreensíveis para nosso intelecto, certamente não expressaríamos em sua língua o sofrimento ao qual nos sujeitariam, mas, estarrecidos, constataríamos a existência de seres capazes da maldade, resultante do uso de sua superioridade intelectual e racional para troçar cruelmente de nós. O modo como toleramos a crueldade e extermínio de animais não-sapiens revela, lamentavelmente, o quanto toleramos a crueldade contra adolescentes nas ruas, negros, homossexuais, mulheres, idosos, pobres e sem-teto. Para mudarmos nossa relação com esses últimos, urge que nos demos conta do que fazemos a todos os seres que julgamos inferiores a nós.





O valor da vida: de seres sencientes... humanos... e de pessoas

8. O valor da vida: de seres sencientes... humanos... e de pessoas

Quando se discute o valor da vida, o valor da vida de um ser humano, e o da vida de uma pessoa, a questão central é a do direito de se tirar ou não a vida de tais seres. Há, porém, ainda uma segunda questão, a do direito de tratar os seres de modo discriminatório em função do valor que suas vidas possuem. Reconhecer um valor distinto para os seres que são pessoas, não implica em atribuir a esses seres o direito de maltratar ou mesmo de matar seres que não chegam a constituir-se como pessoas. Dado que não há superioridade nem inferioridade, embora haja distinção na qualidade de diferentes formas de vida, nenhum ser tem um direito superior ao de um outro ser qualquer à vida. O maior valor que sua vida lhe oferece deve bastar a um ser que vive uma vida distinta como privilégio. Nesse sentido, ao nascermos em uma espécie que nos dota de habilidades que nos permitem gozar a vida de uma pessoa, tal existência por si só já traz consigo tantos benefícios que não devemos concluir ter ainda mais direitos sobre a vida ou a condição de vida de outras formas de ser, diversas, distintas da nossa.

Não é especista reconhecer que a vida de um ser capaz de pensamento abstrato, consciência, planejamento futuro, de atos complexos de comunicação, é mais valiosa do que a de seres não capazes de tudo isso. Mas, acrescenta Singer, é preciso primeiro discutir a questão do valor da vida de modo geral, para se poder fazer uma discussão do valor dela do ponto de vista ético, que compara, então, a vida, como um interesse a ser igualmente considerado.[53]

Não decorre, da distinção e valorização que Singer faz da vida humana, nenhum juízo moral ou norma de discriminação contra os interesses de seres não dotados dessa forma de vida, pois o Autor estabelece uma diferença entre a vida da espécie humana, comum a todos os seres nela nascidos ou em vias de nascer, e a vida de um ser dessa espécie que se constitui como uma pessoa. A espécie a qual um ser pertence não pode ser a razão pela qual infligimos a esse ser dor e sofrimento, ou propiciamos a ele prazer e bem-estar. "Dar preferência à vida de um ser simplesmente porque ele é membro de nossa espécie é algo que nos colocaria na mesma posição dos racistas, que dão preferência aos que são membros de sua raça."[54]

Quando se discute o valor da vida, o valor da vida de um ser humano, e o da vida de uma pessoa, a questão central é a do direito de se tirar ou não a vida de tais seres. Há, porém, ainda uma segunda questão, a do direito de tratar os seres de modo discriminatório em função do valor que suas vidas possuem. Reconhecer um valor distinto para os seres que são pessoas, não implica em atribuir a esses seres o direito de maltratar ou mesmo de matar seres que não chegam a constituir-se como pessoas. Dado que não há superioridade nem inferioridade, embora haja distinção na qualidade de diferentes formas de vida, nenhum ser tem um direito superior ao de um outro ser qualquer à vida. O maior valor que sua vida lhe oferece deve bastar a um ser que vive uma vida distinta como privilégio. Nesse sentido, ao nascermos em uma espécie que nos dota de habilidades que nos permitem gozar a vida de uma pessoa, tal existência por si só já traz consigo tantos benefícios que não devemos concluir ter ainda mais direitos sobre a vida ou a condição de vida de outras formas de ser, diversas, distintas da nossa.

For fim, o atraso das ciências em relação à capacidade mental da maior parte das outras espécies animais não nos permite concluir que os demais animais não podem ter a existência de pessoas. Até há alguns anos atrás, dizia-se de todos os animais que eram incapazes de sentir dor, prazer, de pensar e de comunicar-se. Hoje já se diz de muitos deles que são capazes de tudo isso na sua forma específica. Enquanto não temos estudos mais refinados que nos permitam concluir que outros seres são incapazes de se tornarem pessoas, o melhor é "conceder-lhes o benefício da dúvida",[55] e isso significa, tratar a todos como se fossem pessoas, dispensando a eles os cuidados e prevenções que dispensamos a uma pessoa para minimizar seu sofrimento ou proporcionar seu bem estar.

Se concluirmos que embora um ser seja sensível e consciente das experiências presentes, não retém das mesmas qualquer memória, e, pois, não tem em relação ao futuro nem desejo de bem-estar nem cuidados para evitar situações hostis a esse bem-estar, assim, se um ser vivo não tem autoconsciência, a morte, para esse ser não aparece como uma ameaça capaz de lhe estragar o prazer de estar vivo. Mas, ainda assim, dado que o ser é dotado de sensibilidade em relação às experiências presentes, se a ele for imposta a morte, esta não pode ser dolorosa. "... A condição de senciente basta para que um ser seja colocado dentro da esfera da igual consideração de interesses"[56] e a qualidade de vida desse animal até o momento do abate expressa o nível de moralidade daqueles que o mantiveram vivo.

Referências: Peter Singer

quarta-feira, janeiro 10, 2007

IMPACTO AMBIENTAL DOS ABSORVENTES





Nossa menstruação e os absorventes....
Texto retirado do site:
www.coisasdemulher.com.br

O aBIOsorvente é um absorvente íntimo reutilizável, 100% algodão (anti-alérgico) e surge como uma alternativa ecológica aos absorventes descartáveis que, além de possuírem substâncias tóxicas, são bastante poluentes.

Você já tinha parado para pensar que podem existir alternativas aos absorventes descartáveis?

Que os descartáveis contém resíduos, do próprio processo industrial, que podem não fazer nada bem ao seu corpo (contribuindo para váaaarias doenças ginecológicas: desde a simples candidíase até um câncer de colo de útero)? Fora o impacto ambiental que eles causam: cada uma de nós irá consumir, ao longo da vida fértil, algo em torno de 10 mil absorventes descartáveis, que ficarão aí pelo mundo por volta de uns 100 anos...

Mas imagine que não é só você que está no planeta, que são milhões de mulheres
descartando todo dia absorventes, e contribuindo significativamente para piorar a qualidade de vida do mundo em que habitamos. Apenas nos Estados Unidos são jogados fora 12 bilhões de absorventes e 7 bilhões de tampões por ano. Isso é muita coisa!

Há quem pense que não pode fazer nada a esse respeito; que está esperando "alguém" inventar alguma coisa descartável que se desintegre no espaço após o uso. A questão aqui é que, até alguém inventar alguma coisa, pode demorar muito tempo. E porque a indústria irá investir tempo e dinheiro em algo que não se tem demanda?

O aBiosorvente é a solução para as mulheres que pensam globalmente e agem localmente, que sabem, que fazem a hora, e não ficam apenas esperando acontecer. Que são responsáveis por seus corpos, e estão confortáveis nele, escolhendo o melhor para si.

Como usar seu aBIOsorvente (absorve mais do que você imagina!):

- Para garantir uma boa absorção e higiene, lave antes de usar pela primeira vez.

É interessante ter um número adequado de aBIOsorventes ao seu fluxo, para que você não fique preocupada em lavar e secar rápido para usar no mesmo período novamente. Algo entre 6 e 12 aBIOsorventes é uma quantidade suficiente, irá depender do seu fluxo.

- O aBIOsorvente é composto de uma capa e de duas camadas internas. Coloque as camadas internas dentro da capa e posicione-o na calcinha com a parte sem costura volt
ada para cima. Prenda-o abraçando a calcinha.



Após usar o aBIOsorvente, se quiser você poderá deixá-lo de molho na água sem sabão e usar essa água para molhar suas plantas, pois é rica em nutrientes. As plantinhas agradecem ;-)

Depois, deixe de molho na água com sabão até a próxima lavagem na máquina. Não é preciso esfregar muito. O sangue, quando de molho apenas na água e na água com sabão, tende a sair quase ou completamente.

O seu aBIOsorvente é tão higiênico quanto uma calcinha, e deve ser lavado com o mesmo cuidado. É também bastante durável: você poderá reutilizar seu aBIOsorvente por volta de 6 anos. E, quando precisar jogá-lo fora, não se preocupe, pois ele será reintegrado à natureza em menos de um ano!

Seu aBIOsorvente já está pronto para o próximo ciclo!

Porquê Reutilizáveis?

Absorventes e tampões descartáveis são feitos de papel (árvores) alvejado e plástico, e vários contém ingredientes mais desagradáveis, como metais, surfactantes, desinfetantes, fragrância, bactericida, fungicida, gel absorvente, colas, e traços de organocloretos entre outras coisas. A lei não regula o que vai nos produtos menstruais, e as indústrias não precisam listar seus componentes na embalagem.

Pegando apenas um exemplo do impacto que isso pode ter em você: organocloretos, como a dioxina, um subproduto do processo de branqueamento, tem sido associada a problemas de saúde em humanos e animais, contribuindo para o câncer de mama, deficiências do sistema imunológico, endometriose, defeitos no feto e câncer de colo de útero (cérvix).

Nos Estados Unidos a congressista Carolyn B. Maloney introduziu o Ato de 1997 - Pesquisas e Segurança no uso do Tampão, para dar às mulheres informações mais acuradas sobre o uso de tampões, incluindo os perigos da dioxina. Há caso de mulheres que alegam infecções nas paredes da vagina devido ao uso de tampões. E produtos absorventes vem sendo associados ao aumento do risco da Síndrome do Choque Tóxico.

Cada uma de nós que usa descartáveis, joga fora algo em torno de 10.000 a 15.000 produtos menstruais durante a vida fértil. Isso é o equivalente a 17 carrinhos de supermercado cheios! Muitos tampões são jogados na privada, causando problemas no sistema de esgotos. E os aplicadores de tampões sujam as praias, não apenas poluindo essas áreas, mas milhares de pássaros e animais marinhos engolem esses plásticos por engano e tem problemas ou morrem. A maioria dos absorventes e tampões é embalada individualmente, e com plástico. Essa embalagem também vai parar no lixo. Todo produto que é usado apenas uma vez e jogado fora precisa ser reposto.

Um uso sustentável de recursos significa reduzir a porção de cada recurso que nós usamos, reutilizar o que pudermos e reciclar como última alternativa.






BLOOD SISTER PROJECT - menstruação libertária


o site http://bloodsisters.org/bloodsisters é um projeto independente em curso nos estados unidos, q visa desconstruir a imagem negativa e misógina da menstruação, conscientizar sobre os impactos ambientais e na saúde, e acima de tudo tornar a mulher independente em relação ao seu corpo e as corporações capitalistas, ensinando formas simples e práticas de confeccionar vc mesmo os próprios absorventes reutilizáveis e higienicos:

http://bloodsisters.org/bloodsisters/images/makepads.pdf
Panfleto/Lambe/Cartaz:


CARNE É ESTUPRO e a MIZOOGINIA

Qual o condicionamento ideológico iminente no gesto de comer cadáveres carbonizados do que um dia foi um ser sensciente e complexo? Qual o sentido desses rituais de genocídio e a extração cruel de qualquer significado humano e redução a brutalidade de coisas?

A afirmação da insensibilidade, a negação da vida, a violência, a normalização da crueldade, a difusão de um senso comum que diz: "NÃO ADIANTA, VOCÊ É ASSIM, SUA NATUREZA É ESSA, SUA NATUREZA É DA VIOLÊNCIA E DESTRUIÇÃO. SOMOS HUMANOS. ACEITE SUA CONDIÇÃO" o que é uma mentira! Isso nos torna ressentidos, e resignados com essa brutalização que nos castra, desumaniza e nos coloca no nosso devido lugar de desesperança e obediencia.

Carne nunca mais entrará dentro de mim. A carne é uma intervenção na nossa natureza e nosso corpo. Quando comemos carne, algo muda em nós. Internalizamos alguma coisa, algum corpo estranho, alguma idéia perniciosa, algo que nos carcome por dentro. A carne é uma imposição, assim como seus derivados, numa sociedade calcada na exploração animal. Logo, a entrada da carne em nossos corpos é a própria entrada não consentida do maldito falo patriarcal, violentando nossa natureza e nossa mentalidade.




carne é intervenção.

concluo o seguinte:

a sociedade em que vivemos não é apenas baseada na misoginia e na violência contra tudo que é feminino. Isso acaba abarcando também aos animais não-humanos, uma vez que o feminino foi identificado com a vida e a natureza, e o poder da vida, a harmonia entre todos os seres. A violência contra os animais, assim como sua discriminação, representa um tipo de mizooginia ou zoofobia semelhante à misoginia, que quer afastar tudo que é pernicioso e ligado à mulher. O HOMEM quer negar a vida, para se constituir enquanto identidade própria. A civilização é a negação sistemática de tudo que representa a vida, pois essa é ameaçadora. E quem representa a vida plena e selvagem em si? Aqueles que designamos animais.
o HOMEM não aceita a morte, tal é sua angústia de ser reengolfado pela vagina de onde saiu e sumir pra sempre. A vida representa também a morte, e a sua inferioridade perante às demais coisas. Se o HOMEM aceitasse seu lugar no universo e parasse com sua masturbação mental cosmoantropocêntrica, talvez a paz pudesse ser finalmente alcançada.

Os animais lembram o selvagem, o natural, o instintivo. Essa civilização não quer voltar às suas origens humildes. Deu um golpe de estado muito mal dado na lei da selva e se mantém de forma muito instável até hoje. O feminismo talvez seja, acima de tudo, uma luta empreendida pela travessia da humanidade até o retorno ao natural.

Até Que a Morte Os Separe

como os cães sentem o descarte
Fonte: Bruno Tausz

Não, não vou falar de casamento! Existem coisas mais importantes.

As pessoas podem decidir o que fazer de suas vidas. Infelizmente os cães não podem. Estou cansado de receber telefonemas ameaçadores no canil:

Voz - Estou com um probleminha, será que vocês podem me ajudar?
É que eu vou me mudar para um apartamento e, lá no condomínio, eles não aceitam cachorro, depois ele já mordeu meu filho e quer atacar as pessoas, mas ele é ótimo... tenho um carinho enorme por ele e estou sofrendo muito porque vou ter que me desfazer dele.
Então eu gostaria de doar o Killer para alguém que ame os cães e sei que irá tratá-lo muito bem, vocês aí aceitam doações?

BT - Infelizmente não podemos aceitar doações, procure a Sociedade Protetora dos Animais.

Voz - Eles não aceitam, se vocês não aceitarem vou ter que mandar sacrificar...

Isto dito em tom de ameaça!



O que pode um cão fazer quando não serve mais?

Em primeiro lugar, quando uma pessoa decide ter um cão, deve pensar muito bem, pois ele, supostamente, irá conviver com ela em torno de 10 a 12 anos. Claro que devemos pensar que essa união será até que a morte nos separe, mas não a eutanásia.



A Dor de Consciência
O primeiro passo é a doação! As pessoas tentam doar para quem certamente irá cuidar muito bem do seu "amado" cãozinho.

Fariam isso com seu próprio filho?

Algumas dessas pessoas, porque não dizer, a maioria, quer se desfazer do seu cão, e com razão, porque já teve problemas com ele. Ou ele mordeu alguém, ou os vizinhos estão reclamando, ou foi proibido na convenção de condomínio ou, simplesmente, o cachorro foi comprado para presente no aniversário do filho e o filho encheu o saco e não quer mais o brinquedo.

Traduzindo em bom português, em virtude de sua dor de consciência, a pessoa quer transferir o "problema" para outra pessoa. A outra pessoa vai aceitar e vai ter os mesmos problemas. Rapidinho esse cão será doado novamente.

Cada vez que um cão troca de dono, torna-se mais inseguro e, conseqüentemente, mais agressivo.

O fim dele, com certeza, será o sacrifício, termo abominável que serve para esconder o verdadeiro sentido do ato: execução sumária! Assassinato!

... e nós, humanos, ainda insistimos em classificar certos animais de "Assassinos".

O Humano teme, o Humano mata!

Sempre foi assim.

Olha quanto tempo a humanidade levou para entender as baleias. Quantas baleias foram assassinadas até quase a extinção!

Chamaram a orca de baleia assassina. Mas ela só mata para sua própria subsistência, para comer, como nós fazemos com as galinhas, bois, porcos, tartarugas, coelhos etc.

Hoje a famosa baleia assassina é excelente auxiliar terapeuta para crianças autistas, conseguindo curas incríveis jamais alcançadas anteriormente por qualquer psicoterapeuta.

Quando um tubarão ataca um surfista, que está fazendo, no entender dos tubarões, o ritual terminal da morte, "debatendo-se" na superfície da água como o fazem os peixes moribundos, sai em todos os jornais do mundo.


Mas... os tubarões só dão a primeira mordida, a carne humana é muito ruim. Esta é a razão de tantos sobreviventes a ataque de tubarões. Para cada surfista atacado, o humano assassina perto de quinhentos mil tubarões, só para usar sua cartilagem e vender, como remédio, porque dá lucro.

Nós tememos,... nós matamos.

- É cobra? Mata por via das dúvidas, não interessa se é venenosa ou não.

Mesmo as cobras venenosas, só atacam para se defender ou para defender seu rango.
O "veneno" das cobras é igual ao nosso suco digestivo, só que, como elas engolem a caça inteira, injetando esse suco para matar e não engolir o bichinho vivo. Não tem, absolutamente, o sentido de ataque como mostram os filmes de aventura.

Nós, humanos e civilizados, montamos um abatedouro de gado, chegamos ao cúmulo de batizá-lo de "Abatedouro Santa Izabel" e assassinamos os bois na base da porrada. Nós matamos para vender e lucrar com a morte.

Nós, humanos e civilizados temos esportes como a caçada e o tiro ao pombo, só para conferir nossa pontaria e passar horas agradáveis tomando uma cervejinha e assassinando animais.


Antes de Comprar um Cão

Um cão é um ser vivo e merece o nosso respeito! Nós humanos já passamos pela fase de escravizar a mulher, depois de escravizar os inimigos e os delinqüentes. Mais tarde fomos capazes até de comercializar escravos humanos porque não acreditávamos que o negro possuísse alma.

Ainda hoje, usamos o trabalho escravo de animais como o boi de tração, o cavalo de charretes e o cão de trenó.


Testamos medicamentos em animais para "evitar" testá-los em seres humanos.

Hoje, começo do novo milênio, século 21 estamos buscando no espaço sideral outros seres vivos. Queremos saber se estamos sozinhos no universo. Anunciamos como a descoberta do século o achado de microorganismos fósseis em Marte.

Porque será que o ser humano se acha mais importante que seus companheiros de vida aqui na terra? Porque relutamos em aceitar que todas as formas de vida na terra são interdependentes. Porque classificamos os "outros" animais em úteis, inúteis e nocivos (para nós, naturalmente)?

Porque procuramos vida em outro planeta quando ainda não conseguimos compreender direito a vida daqui? Porque sujamos e depredamos o nosso planeta e, ao mesmo tempo, desejamos colonizar o sistema solar e transformar Marte num planeta semelhante à Terra?

Temos que evoluir daí.


Ainda hoje temos coragem para tirar a liberdade de um passarinho, que não cometeu crime algum, só pelo prazer de ouvi-lo cantar todos os dias ou até mesmo para decorar sua varanda.

Porque justificamos que animais nascidos em cativeiro não sobreviveriam caso fossem libertados? Por acaso alguém já viu um passarinho morto depois de libertado? Então porque insistimos em acasalá-los proliferando animais cativos cuja capacidade de voar é o nosso próprio símbolo de liberdade absoluta?

Ainda bem que não acreditamos em reencarnação sob outra forma animal!

É muito comum multinacionais oferecerem filhotes em sorteio, como prêmio, para conseguirem um número maior de consumidores. Muito comum, também, é oferecerem às crianças um filhote como presente de aniversário, no meio de outros brinquedos.

O cão-objeto está em alta, às vezes substituindo bonecas.

As crianças os levam no colo, colocam-nos para dormir em caminha de boneca, sem se dar conta que este comportamento não é etologicamente normal entre os animais.

A grande vantagem dos cães-objeto é que, na realidade, funcionam como excelentes psicoterapeutas. Aos poucos as crianças estão compreendendo os animais, de uma forma geral. Não só os cães.

Os adultos ainda precisam dez anos de psicanálise para viver o aqui e agora. O instinto e a incapacidade de compreender o lapso de tempo levam crianças e animais a só conseguirem viver dessa maneira.

A relação das crianças com os animais é muito mais próxima do instinto e muito menos do intelecto.

Seria muito, pedir para tentarmos nos imaginar numa situação inversa?

São as crianças de hoje que vão ensinar aos educadores adultos como deverá ser o relacionamento entre homens e animais no próximo milênio.


04/12/2006 17:07 http://www.brunotausz.com.br/novo_site/artigo_integra.asp?id_art=6(BRUNO TAUSZ - ETÓLOGO• Escritor e articulista especializado em comportamento animal e cinologia• Autor dos livros: "Adestramento Sem Castigo" "O Rottweiler" "Meu Cão - como cuidar, educar e ensinar" "Dicionário de Cinologia" )

Observação:
'Chamaram a orca de baleia assassina. Mas ela só mata para sua própria subsistência, para comer, como nós fazemos com as galinhas, bois, porcos, tartarugas, coelhos etc.'

Atualmente, não mata-se mais galinhas/etc para subsistência.

consumo consciente


Diante da pressão exercida por pessoas que, como você, usam de seu direito de escolha para que uma transformação aconteça, inúmeras empresas em todo o mundo estão se adequando a padrões éticos de produção e prestação de serviços, sem deixar de atender às necessidades do mercado. Para que mais empresas sejam incentivadas a levar em consideração as práticas danosas aos seres humanos, aos animais e ao meio ambiente, é necessária a atuação e vigilância constante do consumidor.

Segundo o Instituto Ethos de Responsabilidade Social (www.ethos.org.br), uma empresa responsável é aquela que tem a capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes (acionistas, funcionários, prestadores de serviços, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio-ambiente) e consegue incorporá-los no planejamento de suas atividades.

Convidamos você a basear suas escolhas de produtos em valores do tipo: a embalagem é reciclada? Essa empresa participa de projetos do 3º setor? Há trabalho escravo/infantil embutido nesse produto? Essa empresa faz direta ou indiretamente testes em animais?

Ligar para o serviço de atendimento ao consumidor (vem nos rótulos dos produtos) e fazer essas perguntas é uma atitude de consumidor responsável, que está consciente do seu poder de escolha e o exerce de forma a fazer a diferença. No endereço a seguir, você poderá pesquisar produtos elaborados eticamente.

Aldeia do Futuro – mulheres e adolescentes da zona sul de São Paulo confeccionam tapetes, almofadas, xales, bolsas e outros utilizando resíduos de tecido. Tel. 11 – 5562 6860


Vários produtos que compramos no supermercado são
de uma marca, mas vocês conhecem a EMPRESA, o GRUPO que o fabrica?


Aí vão alguns exemplos:

Os produtos da marca Swift (ervilha, milho, catchup) são da Friboi. Para os que não sabem, o Friboi é o maior abatedouro do país, e não quero nem saber quantos animais abate por dia.
A Minuano, fabricante de diversos produtos de limpeza (amaciantes, sabão em pó, etc) não utiliza animais em testes, mas é da Friboi também.


Para os vegans, o creme vegetal Becell e o leite de soja da Ades são da Unilever.
Essa empresa é uma das maiores corporações do mundo, e mensalmente tem comprado empresas menores.
Para piorar, a Unilever é uma das empresas de produtos de higiene e limpeza mais cruéis em relação aos testes em animais.

Há anos várias entidades de proteção animal de todo o mundo têm lutado incessantemente para que ela cesse seus testes, não obetendo resultado algum.
Portanto, se você é vegan para não contribuir com o sofrimento e a morte de animais inocentes, não compre Becel nem Ades.


A Bunge produz a margarina Primor, Delicia, o creme vegetal Soya, o leite de soja Ciclus, o óleo Salada e é a maior produtora brasileira de proteína texturizada de soja.
A Cargill, produz praticamente todos os óleos que se acha nos supermercados:
Liza, Mazzola, Purilev, Veleiro, Azeite Gallo e La Espanola, e a maionese Gourmet.
O que a Bunge e Cargill têm em comum?

São donas de uma área GIGANTESCA da Floresta Amazônica.
Essa área foi totalmente desmatada para a plantação de soja - e grande parte dessa soja será utilizada para ALIMENTAÇÃO DE GADO DE CORTE.
E o pior: as duas empresas estão comprando mais e mais áreas de floresta nativa da Amazônia.
Com o desmatamento, o número de espécies de animais que são aniquilados é assustador.
Pássaros, mamíferos, e insetos, muitas espécies ainda desconhecidas, simplesmente destruídas pelo desmatamento financiado por essas empresas.




A Gillete havia cessado o uso de animais em seus testes, mas recentemente foi comprada pela Protector & Gamble, a "parceira" da Unilever, em se tratando de testes com animais.

O creme vegetal Deline é da Sadia. Dessa empresa nem preciso comentar nada...

E isso é apenas uma amostra de algumas empresas...

É um alerta às pessoas que pretendem tirar a crueldade da sua lista de compras, optando por uma vida sem culpa, e sempre pensando no bem-estar dos animais.

Para mim, o boicote - e a posterior informação às empresas que serão boicotadas - é uma das melhores formas de manifestar nossa indignação e desprezo por essas empresas que contribuem para a exploração animal.



Não estou pedindo para pararem de consumir produtos dessas empresas.
A escolha está nas suas mãos e só depende de você.

Mas cada vez que você vai ao supermercado e coloca um produto dessas empresas em seu carrinho de compras, você está entregando seu dinheiro à elas, para que continuem com essa cruel exploração da vida dos animais.

Lembrem-se: Vocês podem escolher, os animais não.

Fonte: Candida Vieira => candivb@gmail.com

http://www.ninarosa.org/




comentário adicional: BUNGE E CARGILL SÃO ALIADAS INSEPARÁVEIS DA MONSANTO, EMPRESA DE TRANSGENIA IMPERIALISTA E PRODUTORA DE ARMAS QUÍMICAS EM TEMPO DE GUERRA, nos tempos de "paz" transfere a guerra pro campo e domina as terras de td mundo com a semente transgenica q eh patenteada por eles e q por polinização e vento contamina as puras, tal como uma peste...fazendo com q talvez a soja original possa desaparecer da face da terra...



em poucos anos...

Num futuro bem próximo, todo mercado de produtos industrializados para consumo direto estarão na mão de oito grandes empresas mundiais, tais como PROTECTOR&GAMBLE, UNIVELER *principalmente*, MONSANTO(mamãe patriarca da cargill e bunge filhos da porra) e as outras nem lembro...
fikem atentos gente...comprar produtos em feiras, em especial orgânicas, direto do produtor, compre de empresas pequenas, locais, nacionais MAS NÃO PSEUDO-NACIONAL (colgate, sorriso, tandy etc saum tddd da unilever), não financie os monopólios e grandes corporações, pq são um monstro estilo akele filme "a coisa" ou "a bolha" que vão seguindo e engolindo td q tem no caminho e crescendo cada vez mais...logo vão engolfar nossa alma e nossas vidas pra sempre e tomar o espaço de td universo (tah me empolguei uhauhauhauh)

Direitos Animais e Fetais - uma reflexão animalista em torno do aborto

Hoy en día, la multiplicación de técnicas de manipulación de los procesos vitales y letales hace que cobre especial relevancia el debate ético sobre la legitimidad de prácticas como el aborto. Desde la perspectiva del catolicismo tradicional, el aborto es condenado por los mismos motivos por los que también lo rechazan ciertos sectores pro-defensa animal, a saber, una acrítica sacralización de la vida humana que los animalistas anti-abortistas hacen extensiva a toda forma de vida animal, e incluso vegetal, en el caso de los frutarianos anti-abortistas.


La tradición judía, por su parte, no atribuye al feto una vida independiente de la de la madre, siendo ésta la prioritaria. El Talmud permite la interrupción del embarazo en determinados casos (como el de violación o riesgo para la salud de la mujer). En los países islámicos encontramos legislaciones muy dispares a este respecto y, aunque en general se condena el aborto, se hacen excepciones cuando se halla en peligro la vida de la madre. De modo que las religiones tampoco nos aportan una uniformidad de criterios que nos pueda resultar útil para dirimir esta controvertida cuestión.

Muchos animalistas se oponen firmemente al aborto y lo consideran un asesinato en toda regla, negándose a discutir en qué momento de la gestación empiezan nuestras obligaciones morales para con el embrión o con el feto. Ciertamente, resulta complicado determinar a partir de qué grado de desarrollo gestacional podemos atribuir derechos al nonato. Sin embargo, parece obvio que no es lo mismo hablar de un feto de dos semanas que de uno de ocho meses. Así pues, estimo central el debate en torno a qué características del feto son las que le confieren el estatus de paciente moral, algo que va indisolublemente ligado a su grado de desarrollo.

A este respecto considero oportuno, especialmente desde una perspectiva animalista, destacar la posición del filósofo australiano de la moral Peter Singer, autor de obras seminales como "Liberación Animal" y "Ética Práctica", entre otras. Singer hace una distinción terminológica entre "ser humano" (=miembro de la especie homo sapiens) y "persona" (=ser racional y autoconsciente). Esto le lleva a afirmar que "algunos miembros de otras especies son personas; algunos miembros de la nuestra no lo son". En la primera categoría estarían incluidos, por ejemplo, los primates superiores (de ahí nació la idea del Proyecto Gran Simio); los fetos humanos lo estarían en la segunda.

No cabe duda de estamos ante una nueva vida desde el primer momento de la unión entre el óvulo y el espermatozoide, antes incluso de su implantación en el útero y su adherencia a la pared del útero de la mujer. Pero deberíamos desconfiar del criterio que identifica "lo vivo" con "lo bueno" o con aquello que debe ser objeto de consideración moral. Bajo una perspectiva pathocéntrica, es decir, centrada en la realidad del dolor como criterio para determinar con respecto a qué seres tenemos obligaciones morales, estar vivo es condición necesaria pero no suficiente para atribuir derechos a un ser; éste debe ser, además, un ser sintiente, esto es, dotado de sensibilidad (más concretamente: debe tratarse de un ser doliente (1), es decir, capaz de experimentar dolor).

Aunque, con frecuencia, la sociedad perciba, erróneamente, el animalismo y el ecologismo como un único movimiento, en realidad se trata de corrientes distintas dentro de la ética medioambiental (aunque estén profundamente relacionadas y compartan objetivos comunes): ambas posturas analizan las relaciones entre el ser humano y la naturaleza desde el punto de vista de la ética, atendiendo a nuestras responsabilidades morales respecto al entorno natural y al resto de habitantes del planeta. Asimismo, ambas suponen un desafío al antropocentrismo de los modelos axiológicos precedentes, y defienden una ampliación de nuestra esfera de consideración moral que dé cabida a otros seres vivos. Sin embargo, el movimiento ecologista se preocupa por el respeto a los ecosistemas como globalidad (perspectiva holista), mientras que el movimiento animalista (también llamado movimiento de liberación animal) tiene como objetivo la defensa de los intereses de los individuos dotados de sensibilidad (perspectiva individualista).

Así, allí donde el ecologismo se preocupa, por poner un ejemplo, por el tigre siberiano como especie, el animalismo se preocupa por cada uno de los individuos particulares que integran dicha especie, más allá de la supervivencia de ésta como ente abstracto. El motivo es que las especies no sienten ni sufren; quienes lo hacen son los individuos que las forman. Y es contra el sufrimiento contra lo que se alza el animalismo como movimiento y como postura filosófica.

Por eso, resulta crucial determinar en qué momento se forma el sistema nervioso del feto, cuándo éste empieza a ser operativo y en qué grado lo es. Este momento se suele datar entre el cuarto y el quinto mes de gestación. En esta línea, afirma Singer: "Es muy improbable que fetos de menos de 18 semanas sientan nada en absoluto, puesto que en ese momento el sistema nervioso parece no estar lo suficientemente desarrollado para funcionar. En este caso, un aborto practicado antes de este momento pone término a una existencia que no tiene absolutamente ningún valor intrínseco. Entre las 18 semanas y el nacimiento, cuando es posible que el feto sea consciente, pero no autoconsciente, el aborto pone efectivamente término a una vida de cierto valor intrínseco y por ello no se ha de tomar a la ligera."

Sin embargo, y a pesar de la contundencia de las afirmaciones de Singer, conviene señalar que sabemos a ciencia cierta que el feto reacciona a estímulos externos mucho antes de que su sistema nervioso esté plenamente constituido. Conviene traer a colación el célebre caso del Dr. Bernard Nathanson, conocido como “el Rey del aborto”, quien, tras interrumpir más de 60.000 embarazos y luchar por la ampliación de la ley del aborto en los EE.UU, se retractó de su postura inicial (hasta el punto de convertirse en uno de los más fervorosos y activos oponentes a la práctica del aborto), al realizar un experimento con ultrasonidos que permitió grabar la reacción del feto mientras se lleva a cabo la intervención. Nathanson quedó tan sobrecogido por el visionado de las cintas, que decidió no volver a realizar jamás un aborto y dedicar todos sus esfuerzos a la lucha pro-vida, difundiendo el material gráfico que recogió en un documental titulado “El grito silencioso”. La cinta muestra cómo un feto de 12 semanas se defiende con sus manos y sus pies de las pinzas que intentan quitarle la vida.

Más recientemente, los nuevos escáneres de ultrasonidos (4D ultrasound scanning) han arrojado imágenes que revelan cómo un feto de 12 semanas se mueve en el vientre de su madre, bosteza, y hasta sonríe. Se trata, sin duda, de imágenes impactantes que ponen de manifiesto la indefectible naturaleza humana del feto (algo que, por otro lado, no debería ser relevante a la hora de determinar si tiene o no derecho a la vida).

Ahora bien, ¿prueba esto que el feto sea sensible al dolor? Está demostrado, por ejemplo, que las plantas reaccionan a estímulos como la luz (crecen hacia ella) y, sin embargo, su ausencia de sistema nervioso central las incapacita para sentir placer y dolor. Incluso las células reaccionan ante distintas agresiones, y no por ello pensamos que sufran. Podríamos decir que el sufrimiento equivale a ser consciente del dolor; así, cuando aplicamos anestesia general o local, en realidad no anulamos el dolor (que no es sino una señal nerviosa enviada al cerebro para que éste procese e interprete la información) sino la conciencia del mismo, esto es, el sufrimiento.

A la pregunta "¿Cuándo comienza la vida?", Bonnie Steinbock, experta en ética médica, respondió: "Si hablamos de vida en un sentido biológico, los óvulos están vivos, los espermatozoides están vivos. Los tumores cancerígenos están vivos. Para mí, lo que importa es lo siguiente: ¿cuando se inicia el estatus moral de un ser humano? ¿Cuando empieza a tener conciencia de lo que le rodea? ¿Cuando puede sentir dolor?, por ejemplo, ya que ése es uno de los signos más claros de consciencia que puede haber. Y todo eso sucede más o menos cuando el feto resulta viable. Ciertamente, no sucede con un embrión."

Por "viabilidad del feto" se entiende la posibilidad de subsistencia fuera del útero, y ello no es posible hasta el sexto mes de gestación. Por eso, muchos expertos consideran que éste puede ser un buen criterio para determinar hasta cuándo es legítimo realizar un aborto. También se suele considerar que durante el sexto mes se convierten en operativas las funciones cerebrales superiores del feto. Hay quien opina que lo que hace que un feto se pueda considerar persona es su capacidad para pensar, que se produce a partir del momento en que el córtex cerebral está desarrollado (sin embargo, éste tampoco debería ser un punto determinante desde una ética animalista, si reivindicamos una igual consideración moral de los intereses de todo ser sintiente, al margen de la especie a la que pertenezca y de su capacidad intelectual).

Se sabe que, entre las 20 y las 24 semanas de gestación, el feto posee ya todos los requerimientos anatómicos y funcionales para la percepción del dolor. Estamos, por tanto, moralmente obligados a minimizar todo sufrimiento que le podamos ocasionar. Pero, ¿qué hay de su derecho a la vida? ¿Debemos, como animalistas, aplicar al feto los mismos argumentos que empleamos para defender la vida animal, oponiéndonos así a la libertad de elección de la mujer?

Si el criterio para defender los derechos de los animales no humanos es que son seres sintientes, ¿no nos lleva eso a afirmar que el feto, en tanto que ser sintiente, también tiene derechos?
Parece ineludible responder que, en efecto, el argumento de la sensibilidad como razón suficiente y necesaria para ser objeto de consideración moral nos lleva a concluir que el feto, a partir de un determinado grado de desarrollo, tiene interés en no sufrir y, en principio, ese interés debería ser respetado. La existencia de un conflicto moral cuando una mujer decide interrumpir su embarazo, es, así, un hech
o incontestable al que no debemos dar la espalda (no podemos dar carpetazo al asunto diciendo que el feto no debe tiene intereses por el mero hecho de no haber nacido).

Pero la naturaleza de ese conflicto difiere radicalmente del que surge cuando defendemos el derecho a la vida de los animales no-humanos, puesto que el dilema, en el caso del aborto, se plantea entre un titular de derechos primario (la mujer) y otro titular de derechos subordinado que reside en el cuerpo de ésta (el feto). Dirimir este conflicto a favor del segundo (proteger legalmente su derecho a la vida) sólo puede hacerse a costa de violar el derecho de la mujer a la no intromisión en su propio cuerpo. Claramente, el respeto a la vida de los animales no-humanos no presenta este tipo de dificultades, ya que en ningún momento implica la violación de las libertades ni los derechos básicos de los seres humanos.

No le falta razón a Peter Singer cuando afirma que resulta difícil condenar el aborto “en una sociedad que hace una carnicería de formas de vida mucho más evolucionadas por el simple sabor de su carne." (Singer, P., 1988: Ética práctica, Pág.151). Sin embargo, como defensores de los derechos de los animales y de los derechos de las mujeres, como individuos, en definitiva, preocupados por hacer lo correcto sin dañar a nadie, no deberíamos obviar la problematicidad de esta cuestión, ni eludir la reflexión mediante fórmulas morales de manual que prescriban cuál debe ser la postura del “buen animalista” ante un reto ético de semejante magnitud.

Autora: Alicia Martín Melero, alicia@animanaturalis.org


[1] Empleo aquí una traducción libre de la expresión “painient”, introducida por el psicólogo británico Richard D. Ryder, inventor del término “especismo”.

www.animanaturalis.org


PRÓ-VIDA PARA OS NÃO NASCIDOS, PRÓ MORTE PARA OS VIVOS
A CRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO COMO FEMINICIDIO ORGANIZADO NO PATRIARCADO

- A cada 6 minutos morre uma mulher vítima de um aborto clandestino feito em más condições.

- Dos 46 milhões de abortos que se fazem anualmente 20 milhões são abortos ilegais feitos em condições pouco seguras.

- A nível mundial mais de 1/3 das gravidezes não é planeada. Todos os anos quase 1/4 de mulheres grávidas decide fazer um aborto.

- São 80,000 mortes por ano devido a infecções, hemorragias, danos uterinos, e efeitos tóxicos dos métodos utilizados para induzir o aborto.


- No Brasil são realizados anualmente mais de 750 mil abortos em condições inseguras.
- Complicações acarretadas pelo aborto clandestino são a QUARTA CAUSA de mortalidade materna no país.
- Cerca de 250 mil mulheres são internadas a cada ano no Sistema Único de Saúde (SUS) por complicações de aborto e, dessas mulheres, a maioria é negra, jovem e pobre.

- Cerca de 1,2 milhão de brasileiras foram
hospitalizadas nos últimos cinco anos devido a infecções, hemorragias vaginais e outras complicações decorrentes de abortos ilegais, segundo relatório
divulgado na quarta-feira pela Federação Internacional de Planejamento Familiar
(IPPH, na sigla em inglês).

- O aborto é atualmente permitido apenas nos casos de estupro da mãe ou quando há risco de morte para a mulher, levando entretando um extenuante processo burocrático para ser concedido direito.
- Se a mãe sabe que o filho porta uma doença grave e que não viverá mais que 5 anos (em alguns casos, sofrendo), ela não pode abortar.

A MULHER É UM SER SENSCIENTE
O FETO NÃO!
QUEREMOS ESCOLHER...VIVER!

QUEM É CONTRA O ABORTO É CONTRA A MULHER!

A CLANDESTINIDADE DO ABORTO É UMA DAS FACES DA MISOGINIA: A DISCRIMINAÇÃO E ÓDIO À MULHER. OS TEMPOS DE CAÇA ÀS BRUXAS NÃO TERMINARAM!
CRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO FAZ DE NÓS TODAS CRIMINOSAS, QUE CRIME É ESSE? A TRANSGRESSÃO DOS DIREITOS ADQUIRIDOS DOS HOMENS SOBRE NOSSOS CORPOS E VIDAS.
O ABORTO NÃO É UM DIREITO GARANTIDO, NÃO TEMOS DIREITO À NOSSA INTEGRIDADE FÍSICA PLENA, SOMOS SEMI CIDADÃS DO SISTEMA PATRIARCAL, PODEMOS MORRER COMO SE NADA VALESSEMOS, VIVEMOS COMO REFUGOS SOCIAIS.

- 25% da população mundial vive em 54 países (principalmente na África, América Latina e Ásia), com legislações muito restrictivas que proíbem o aborto em qualquer circunstância ou que o permitem apenas para salvar a vida da mulher grávida.
-A proibição do aborto não elimina a prática deste
-Em países onde o aborto é legal, a taxa de mortalidade e criminalidade diminuiu consideravelmente.
-De acordo com a Federação Internacional de Planejamento Familiar, o Brasil é responsável por 1 milhão de interrupções de gravidez de forma insegura a cada ano. O estudo revela que a média brasileira no ano passado foi de 2,07 abortos induzidos por grupo de 100 mulheres. O problema é mais grave na Região
Nordeste, onde a taxa é de 2,73, maior que a média nacional. A Região Sul foi a que apresentou a menor taxa, de 1,28 por 100 mulheres. O relatório aponta o Nordeste como uma das regiões de menor poder econômico, onde as mulheres têm menos acesso aos serviços de saúde e que concentra as maiores taxas de analfabetismo, de 18%.

- Problemas após aborto inseguro custam R$ 33,7 mil
- Os abortos realizados de forma insegura vitimizam milhares de brasileiras e
ainda causam prejuízo ao Sistema Único de Saúde (SUS). É o que revela o
estudo "Morte e Negação: Abortamento Inseguro e Pobreza", divulgado hoje
(30) pela Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF, na
siga em Inglês), entidade que atua em 150 países. (folha sp)

- abandono de bebês não aumenta numero de adoções (o globo)
- São 2 crianças abandonadas por dia só em São Paulo - Nos três primeiros meses deste ano, 202 crianças tiveram a entrada registrada nos abrigos da Capital (estadão)
- Pesquisa: 16,7% das jovens fazem aborto na 1ª gravidez (folha de são paulo)
- Pesquisa mostra que 40% das mães jovens são abandonadas pelos parceiros em SP (o globo)

- As informações utilizadas foram obtidas do banco de dados sobre mortalidade do Sistema Único de Saúde ¾ Ministério da Saúde. De 1980 a 1995, formam 2 602 óbitos. Além de todos os internamentos obstétricos.Do total de óbitos, 15% foram devidos a aborto retido, aborto espontâneo e aborto induzido com indicação legalmente admitida. Oitenta e cinco por cento dos óbitos foram causados por aborto induzido sem indicação legalmente admitida e por aborto sem causa especificada.

Fonte: Rev Panam Salud-Publica v.7 n.3 ,Mar. 2000 - Mortalidade por causas relacionadas ao aborto no Brasil: declínio e desigualdades espaciais-Bruno Gil de Carvalho Lima

- Não seremos plenas cidadãs se não tivermos plena autonomia sobre nossos corpos!
Não é possível ter pleno controle sobre nosso corpo enquanto estivermos sobre
O jugo de uma sociedade Patriarcal, onde a mulher historicamente serve o homem
e é desfavorecida psicológica, economica e socialmente. Por isso e muitos outros fatores, ainda não controlamos plenamente nossos corpos e vidas!

Quem é mais vivo: mulher ou feto?
- Os conceitos sobre quando começa a vida variam. No primeiro trimestre de vida, o feto não desenvolveu o córtex, que confere ao feto a sensibilidade. Mesmo na Igreja, essa questão é polêmica. Pra São Tomás de Aquino, é só com o córtex que começa a vida. Pro papa não. Pro papa a vida começa com o espermatozóide, pois ele também condena o uso da camisinha - "em nome da vida". Defendo a legalizaçã do aborto durante o primeiro trimestre de gravidez. Essa é a bandeira do movimento feminista.

-O aborto nunca foi defendido como um método contraceptivo, mas sim como um recurso último se caso ocorrer, a mulher não fique desamparada e morra de hemorragia uterina por ter tentado abortar com métodos insalubres e esdrúxulos, em clínicas clandestinas sem fiscalização, morram de infecção hospitalar, ou sobrevivam sem um útero, inferteis, ou com complicações ginecológicas pro resto da vida... !

-Se as mulheres engravidam acidentalmente, deveria se ter compreensão pois em 100% dos casos elas engravidaram por serem vítimas e se verem em uma cilada da sociedade machista e coercitiva sexualmente...

- Não existe essa história de "foi irresponsável"...Sempre tem um motivo, e um dos maiores é a falta de informação sobre o funcionamento dos seus corpos e desconhecimento da própria sexualidade. Afinal, nossos corpos são uma vergonha pra nós, são encobertos de nós até chegarmos na puberdade, muitas vezes despreparadas e PRINCIPALMENTE DESCINCENTIVADAS...porque sexo não é assunto de mocinhas, e seus corpos e desejo são motivos de vergonha pra nós..., chega na hora vai acontecer, e muitas vezes a cabeça dos dois está povoada de fantasias sobre a contracepção, sexualidade, e tudo mais...numa sociedade que ao mesmo tempo superestimula a juventude a isso, e não dá na mesma proporção recursos pra que lidem da melhor forma com isso...

Gravidez por 100 mulheres nos 12 primeiros meses de uso

Método................................. Uso ideal / Uso real

Espermaticidas ............................6,0......26,0
Preservativo feminino..................5,0.....21,0
Métodos comportamentais...........9,0.....20,0
Diafragma+ espermaticida...........6,0.....20,0
Coito interrompido.......................4,0.....19,0
ACO combinados..........................0,1.....8,0
Amenorréia de lactação................0,5.....2,0
Progestogênio oral.......................0,5......1,0
DIU de cobre................................0,6......0,8
Ligadura tubária...........................0,5......0,5
Injetável mensal e trimestral........0,3......0,3
Vasectomia...................................0,1......0,2
Implantes......................................0,1......0,1
SIU liberador de levonorgestrel.....0,1......0,1

Fonte: Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia


Para uma mulher, ser mãe é apenas uma
opção!
O primeiro direito da criança é ser desejado

NÓS MULHERES TEMOS O DIREITO DE VIVER
NÃO SOMOS MÁRTIRES DA MATERNIDADE!


CHEGA DESSE REGIME DE MORTE E ÓDIO!
ESPECISMO=SEXISMO
SER CONTRA O ABORTO É SER A FAVOR DO ABATE DE MILHÕES DE MENINAS PRO VIL PRAZER DAS CONVENÇÕES PATRIARCAIS DA MATERNIDADE!